O JOGO DAS PERGUNTAS de Patrícia Portela e Cláudia Jardim

SINOPSE

A História do Jogo das Perguntas

“Jogo das perguntas” é o jogo mais antigo do mundo.
Diz-se que foi inventado por um monge que tinha a obrigação de jejuar às sextas-feiras, e que, um dia, esfomeado, foi apanhado a comer um ganso do jardim imperial à dentada (e ainda com penas). Foi castigado de forma severa e condenado a viver numa cela minúscula e isolada, impedido de falar para sempre.
Não podendo falar com ninguém, o monge, para não enlouquecer, falava com as paredes como se falasse com os seus deuses; pedia-lhes o seu perdão, perguntava-lhes o que poderia fazer para se redimir e ser de novo livre. Não havendo quem lhe respondesse, o monge insistia, insistia, e perguntava e perguntava, cada vez mais alto, cada vez mais alto, até gritar, gritar, e quando gritar não chegava inventava perguntas mais complicadas, mais esquisitas, mais escanifobéticas, mais improvaveis, perguntava tudo, na esperança de chegar pelo menos aos ouvidos de um dos seus muitos deuses.
Querem que eu salte num só pé durante 10 dias?
Querem que recite todos os poemas começados por Z que conheço?
Querem que conte a poeira do universo que cai todos os anos na Terra e compare com o tamanho de todas as baleias nos oceanos?
E se eu cantar até que a voz me doa?
E se eu memorizar todas as palavras com B e as repetir 1000 vezes em fá maior?
Mas nada, nem uma resposta.
Um dia, cansado de o ouvir, mas também preocupado com a sanidade mental do monge, o guarda do imperador (que por acaso também era um ganso), começou a responder-lhe.
O monge não cabia em si de contente, a felicidade era tanta que até se esqueceu porque começara a fazer perguntas e atirou-se a novas questões. E o guarda, que o monge pensava ser um deus, respondia. Um perguntava, o outro respondia. Um perguntava, outro respondia, E assim começaram a conversar um com o outro.
Não só as perguntas eram cada vez mais complexas como as respostas se tornavam cada vez mais criativas.

Até que um dia, o imperador apanhou o guarda-ganso com a boca na conversa a inventar uma resposta extremamente difícil e poética. O imperador ficou furioso e ameaçou matar o guarda e o monge, ali, naquele instante, para servirem de exemplo para o resto da população que ousasse desafiar as suas leis, mesmo que estas não fizessem qualquer sentido. Num ápice, todos os gansos se uniram para salvar o guarda-ganso e explicaram ao imperador que aquele é um jogo que jogavam para não esquecer o ganso morto à dentada (e ainda com penas) e para se distraírem quando chovia. Enquanto jogavam, lembravam-se de bons momentos passados com o falecido ganso e até tinham novas ideias para combater momentos imcompreensíveis das suas vidas e essa era uma óptima maneira de prestar homenagem ao guarda do jardim imperial.
Para provar que o que diziam era verdade, convidaram o imperador a jogar.

Foi assim que o imperador respondeu às primeiras perguntas e ficou tão entusiasmado que ordenou que este fosse o jogo oficial do seu império.
Desde então, este jogo (que em japonês se chama shitsumonosettei), joga-se em dias de chuva mola-tolos, em dias de batalhas inevitáveis, sempre que um ganso do jardim imperial morre, ou em dias de grandes decisões governamentais. Quem ganha manda e é condecorado cavaleiro Perguntador com uma medalha que tem o condão de lançar novas e inesperadas perguntas que fazem o jogo recomeçar mais uma vez.


FRAGMENTOS DO TEXTO

Quantas igrejas tem o céu? 
Há mais folhas numa pereira ou num livro de Harry Potter? 
Porque se suicidam as folhas quando se sentem amarelas? 

Estas são algumas das perguntas deste jogo feito de muitos jogos, um jogo que nunca se perde, que se ganha quanto mais se jogar e que se pode jogar mais quanto mais se responder. Não há respostas certas nem erradas mas há respostas boas, muito boas, excelentes ou mesmo extraordinárias, e no final, o super-prémio é o direito de perguntar, o direito de querer saber tudo e o direito de inventar sempre mais."


EQUIPA
co-criação Cláudia Jardim e Patrícia Portela
programação, efeitos especiais Irmã Lúcia efeitos especiais
desenho sonoro e música Christoph de Boeck
direcção técnica e design de luz Prado
apoio à dramaturgia Isabel Garcez
o inspirador e guest star Pablo Neruda
produção Pedro Pires e Helena Serra

uma co-produção Prado / Teatro Viriato / Teatro Maria Matos

IMPRENSA
“Quantas igrejas tem o céu? Porque se suicidam as folhas quando se sentem amarelas? Onde fica o centro do mar? Estas são algumas das perguntas principais de um jogo interactivo, dirigido ao público escolar e familiar. Um jogo físico-mentaló-poéticó-emotivo, inspirado no “Livro das perguntas”, de Pablo Neruda e Isidro Ferrer.”
Diário das Beiras | 09.12.09

“Começa já amanhã o jogo que se refugia no teatro e deixa o mundo real trancado lá fora. Em palco, tudo é possível, assim como nas histórias de encantar. Para os mais pequenos o jogo promete muita diversão e para os pais um verdadeiro regresso à infância”
Maria Espírito Santo | Jornal I, Novembro 2010

“Foi lado a lado com Cláudia Jardim que Patrícia Portela criou o jogo que prima pela imaginação. Ambas têm um passado marcado pelas artes performativas...As artistas já tinham trabalhado em conjunto mas foi a partir do projecto “Anita Vai a Nada” que surgiu o desejo de fazer um espectáculo interactivo que elogiasse as pequenas mentes mirabolantes”.
Maria Espírito Santo | Jornal I, Novembro 2010

“O Livro das Perguntas foi o ponto de partida para a criação do espectáculo. A obra do poeta chileno Pablo Neruda inspirou as artistas a iniciarem o projecto. O livro reúne uma série de perguntas feitas por crianças. São questões que brincam com as palavras, as coisas, as pessoas, os animais, a vida”.
Maria Espírito Santo | Jornal I, Novembro 2010

“O projecto de Patrícia Portela (Prado) e Cláudia Jardim (Teatro Praga) é um exercício de ginástica fisica mas sobretudo mental que puxa até fazer doer as articulações que nos fazem perguntar, pensar, imaginar.”
“O Jogo das Perguntas é um super-jogo cheio de perguntas sem uma única resposta possível.”
Catarina Figueira | TimeOut Lisboa, 1 de Junho 2011

TOUR
Teatro Viriato – 10 a 17 de Dezembro 2009
O Espaço do Tempo | BlackBox – 27 e 28 de Fevereiro 2010
Maria Matos Teatro Municipal – 4 a 7 de Novembro 2010
Espaço Negócio | ZDB – 1 a 4 de Junho 2011

 





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