A COLECÇÃO PRIVADA DE ACÁCIO NOBRE de Patrícia Portela

SINOPSE
Uma máquina de escrever vintage e um teclado wireless dão um concerto, projectam um filme mudo, desenvolvem em parceria um diálogo sobre o arquivo de Acácio Nobre, recriando o ambiente que envolve um autor enquanto escreve ou enquanto não se consegue escrever. Um espectáculo que se inscreve na solidão e intimidade do criador enquanto não vê a sua obra teminada.
No final do séc. XIX, a Europa divide-se entre os governos que abraçam o estudo do desenho – e que, sem querer, inventam a modernidade, e os governos que proibem os kindergarten de Froebel, com medo do livre-pensamento. É neste contexto de ruptura com os modelos de educação vigentes que vive Acácio Nobre, um português de referência (que uma ditadura silenciou e eliminou dos registos da História), promovendo a vanguarda na arte e na Indústria através dos seus puzzles geométricos e teorias revolucionárias.
Patrícia Portela reúne fragmentos de maquetas e diários de Acácio Nobre, agora (re)encontradas num baú na cave dos seus avós e reconstrói algumas das obras, ideias políticas e ambiciosos projectos de Acácio Nobre com o objectivo de reavivar a sua obra e de questionar a memória colectiva de um país que, se tivesse decidido atribuir a este homem a imortalidade que lhe era devida, teria sido um país diferente.

Fragmentos do Texto
(...) Paris, 22 de Outubro de 1890, Exmo. Sr. Secretário d’Estado e Conselheiro da Coroa João Franco, Venho por esta humilde forma apresentar-lhe o meu projecto de implementação de um método inovador para a educação de crianças e operários em Portugal. (…)/[...] Permita-me ousar pensar que Portugal, um país tradicionalista e rural que com dificuldade procura a modernidade, pode e deve participar neste processo. (…)/[...] Quando o homem souber desenhar um cone, um cubo e uma esfera na perfeição, conhece e domina toda a natureza em toda a sua complexidade. (…)/[...]Confio que sabe tão bem como eu que a revolução é a substituição das elites. Não se destrói uma monarquia depondo apenas o rei. A verdadeira revolução é a das mentalidades. O que lhe estou, de facto, a pedir, Exmo. Sr. Secretário d’Estado, é que maximize a exposição do país ao efeito do cisne negro e à transacção do anticonhecimento (…)/[...] Seja para esta nação o seu terceiro corpo. O que faz a diferença, porque interfere de forma minúscula na sociedade. Seja a perturbação mínima no sistema que produzirá uma mudança radical. E seja rápido!
in carta de Acácio Nobre a Exmo Sr Secretário de Estado de João Franco

Uma co-produção Prado/ EGEAC-Maria Matos Teatro Municipal, Setembro 2010
Com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e La Porta

Patrocínios: Jata - pequenos electrodomésticos | São Luiz Teatro Municipal | Teatro Praga | Algifa | A vida Portuguesa | CNC | Museu do Brinquedo
Parceira associado: da  ZDB
A Prado é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal - Secretário de Estado da Cultura / Dgartes

EQUIPA
texto e selecção de imagens Patrícia Portela
máquina de escrever e instalação sonora Christoph de Boeck
programação, efeitos especiais, pós produção de imagem Irmã Lucia efeitos especiais
design electrónico Fabrice Moinet
performer André Teodósio e Patrícia Portela
desenho de luz Daniel Worm d’Assunção
jóia de Acácio Nobre Alda Salavisa
mesa de Acácio Nobre João Gonçalves
execução de mesas e bancos Acácio Nobre Lionel&Bicho
costureira D. Maria Luisa
edição de texto Isabel Garcez
tradução texto inglês Graeme Pulleym
vídeo&trailer Rui Ribeiro | Les Filmes de Merdre
direcção de produção e produção executiva Helena Serra e Pedro Pires
duração do espectáculo 90’

IMPRENSA
“No palco, Patrícia Portela e André Teodósio dialogam – ou melhor, uma máquina  de escrever e um computador dialogam. E é esse diálogo entre épocas, entre diferentes maneiras de estar e de pensar que vai estar em cena".
Maria João Caetano in Diário de Notícias, 10.09.10

"A peça de Patrícia Portela é uma imersão no universo de Acácio Nobre, um “português de referência do início do século XX, agora esquecido”, a partir de um espólio encontrado num baú de casa dos avós. E tudo isto existe? “As coisas que nós decidimos que existem, existem.”
Alexandra Prado Coelho in Público, 10.09.10

“O discurso de Patrícia é tão torrencial como o que vai passar na sala do Maria Matos. E dizemos sala porque, a pouco e pouco, o espectáculo (ou seja, o interior da cabeça de Acácio Nobre) vai alastrando do palco para toda a sala, envolvendo os espectadores num tornado de luz (letras que vão sendo projectadas sobre o público), som (o teclar da máquina de escrever, com maior ou menor intensidade), e até cheiro.”
Alexandra Prado Coelho in Público, 10.09.10

“Patrícia, é fabuloso! Das coisas mais bonitas que vi nos últimos tempos! Dás-me tanto mundo novo com este espectáculo. Enquanto o via (hoje), sentia-me o tipo mais estúpido de Lisboa que há quinze dias que se anda a passear pela existência com isto a acontecer todas as noites e a não saber o que era. Obrigado!”
Escritor e dramaturgo Miguel Castro Caldas in mail pessoal dirigido a Patrícia Portela

“Algures durante a primeira meia hora de A Colecção Privada de Acácio Nobre, suspeitamos se não será este homem um embuste criado pela própria Portela. Nobre é a encorporação e síntese de muitas das ideias e mudanças tecnológicas que apareceram durante o final do século XIX e XX. E Portela apresenta-as de forma surpreendente. (...) Como uma porta aberta, as mesas (no palco) assemelham-se um pouco a pianos assim como os elegantes bancos em aço que parecem flutuar no espaço. Portela e André Teodósio surgem como se fossem dois pianistas. (...)
Como espectadores temos de seguir tudo atentamente para não perdermos nada e, curiosamente, é essa tentativa que produz uma impressionante evocação de uma era revolucionária que nos atinge como se de uma demonstração se tratasse do fascínio que ainda temos por essa época quando olhamos para trás”.
“Um belissimo concerto de ideias”.
Pieter t’jonck in De Morgen 17 de Fevereiro de 2011

TOUR
2010
10 a 18 Setembro – Maria Matos Teatro Municipal
24 Setembro – Teatro Municipal da Guarda, Guarda
2 Outubro – Teatro Viriato, Viseu

2011
11 e 12 de Fevereiro – Monty – Antuérpia
16 de Fevereiro – Stuk / Artifact Festival – Leuven
26 de Fevereiro – Kaaitheater / Performatik Festival – Bruxelas
28 de Maio – FITEI / TeCA




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