FLATLAND I de Patrícia Portela

Para Cima e não para Norte, uma performance e um livro de Patrícia Portela

Prémio Maria Madalena de Azeredo Perdigão / ACARTE 2004

Menção Honrosa Bolsa Ernesto Sousa/FCG

Top 5 espectáculo do ano no Expresso 2005


SINOPSE
“Flatland I (Para Cima e não para Norte)” é o primeiro de 3 episódios que contam a trágica vida de um Homem Plano que um dia descobre que lhe falta uma terceira dimensão.
Neste primeiro episódio, podemos seguir O Homem Plano na sua reflexão pelos mundos da bidimensionalidade e da perspectiva até descobrir que a sua existência temporária no mundo 3D é possível se existirem espectadores a olhar para ele.
Contente com a descoberta mas descontente com a dependência, o homem plano desenha uma estratégia infalível para conquistar uma imortalidade tridimensional.
Flatland I é um espectáculo multimedia, onde letras, sons e imagens em movimento compõem e transformam um livro de 3x4m. Um livro que se pode ver, ler, ouvir, e absorver de  muitas maneiras.

(Apresentado em formato de espectáculo desde 2004 em festivais de dança, teatro e multimédia, como filme em festivais de cinema e como instalação em episódios em Museus.)

Fragmentos do Texto
A quem se dedica um livro como este?
A Virgílio e às suas sibilas, alinhavando todas as profecias de um Império Romano.
A Borges e aos seus leitores invisíveis.
Aos filósofos que seguram os livros com uma só mão, enquanto se passeiam e desenvolvem complexas teorias sobre o mundo.
A todos os gregos, a todos mesmo,
desenrolando intermináveis pergaminhos no colo.
Aos homens que se tornaram santos porque gostavam de ler livros particularmente proibidos.
Aos oradores,
Aos socráticos,
Aos pitagóricos,
Aos aristotélicos,
Aos cínicos,
a outros que lêem e leram para dar a ler.
Mas sobretudo, àqueles que lêem só por ler, com os livros apoiados nos joelhos.
Àqueles que preferem ler deitados, na cama, no sofá, no chão, nas suas varandas enquanto espreitam quem se passeia na Avenida.
A todos os que não conseguem resistir e lêem sempre primeiro a última página de um livro, a todos os que não conseguem começar o dia sem ler todas as frases do seu jornal diário (incluindo a dos obituários),
Aos amantes que lêem aos amados,
Aos professores que lêem para um aluno,
Aos estudantes que relêem antes de entrar para um exame,
Às mães que lêem para os filhos, e a todos os que lêem nos autocarros, nas paragens de eléctrico, nas estações de comboios, nas saídas do metro, nas prisões (eu que o diga !) ou nas infinitas salas de espera dos serviços da Segurança Social enquanto não chega a sua vez.
A todos os que lêem para aprender, para explorar, para resistir, para esquecer, para passar o tempo, para alcançar, ou simplesmente perdurar, a todos... Sim!
A todos dedico esta história.
A todos os que quase me aniquilaram (simultaneamente os mesmos que me ressuscitaram e me trouxeram, de volta, aqui).
A todos os que me tornaram possível.
Eu, Homem Plano, conto convosco para virar as páginas que se seguem.
É a Vocês, habitantes do Espaço em geral, e a Vocês, leitores sólidos em particular, frente a este mesmo livro, neste preciso momento, que dedico estas páginas, desejando que, através da leitura (caminho pelo qual fui introduzido nos mistérios das três dimensões), possam vocês também compreender o mundo bidimensional, e, lentamente, os parâmetros de uma Vida Plana. De ora em diante, e em conjunto, mudaremos o curso da História através das Leis da Ficção.
Excerto do texto de Patrícia Portela

EQUIPA
Texto, imagem e coordenação Patricia Portela
Interpretação Anton Skrzypiciel
Design sonoro Christoph de Boeck
Apoio técnico e composição gráfica dos clips Helder Cardoso
Layout e programação do livro Irmã Lucia efeitos especiais
Apoio técnico no Lugar Comum Hélio Mateus
Apoio técnico em Antuérpia Peter de Goy
Apoio técnico em Montemor-o-Novo Carlos Jorge Carmo
Construção do suporte do livro Antoine Vandewaude
Apoio e assistência geral Patrícia Bateira
Produção Patricia Portela e Helena Serra

Agradecimentos especiais António Saraiva, Vasco Santos, Sr. Bernardino, Sónia Baptista, Ana Pais, Sr. Nuno Ferreira, SONY, Diana Roquette, João Garcia Miguel, Eva Nunes, Rui Horta e toda a equipa de Montemor-o-Novo, Hélio Mateus, Miguel (LC), entre outros.

Duração 50 min aprox
Texto em inglês

Subsidiado por . MC / Instituto Português das Artes e Fundação Calouste Gulbenkian
Uma co-produção . Wpzimmer (BE), Espaço do Tempo e Lugar Comum
Apoio . Transforma, Casa Ferreira, Centro Nacional de Cultura, editora Fenda, Embaixada Lomográfica, Bacardi Portugal, TESA, BOSCH, XEROX
Apoio Internacionalização . Instituto Camões / Embaixada Portuguesa na Noruega e Embaixada Portuguesa na Rússia

TOUR
Ante-Estreia Festival de Imagem de Oeiras, 1 e 2 de Outubro de 2004
Estreia Bélgica Festival Amperdans, Antuérpia, 7 e 8 de Outubro de 2004
Estreia Portugal Festival Número,  Lisboa,  4 de Novembro de 2004
18 a 22 de Nov 04 Festival X, Clube Estefânia, Lisboa (PT)
25 e 26 de Fev 2005 Something Raw Festival, Amesterdão (NL)
6 Mai 205 Danças com Livros, Espaço do Tempo, Montemor-o-Novo (PT)
2 a 4 Mai 05 Galeria Zé dos Bois, Lisboa (PT)
4 Jun 05 Festival Disorientation or the new ways of storytelling, Amsterdão(NL)
7 Jul 05 Szene Festival, Salzburgo (AT)
11 a 13 Ago 05 Festival Citemor, Montemor-o-Velho (PT)
18 Set 05 Plataforma Dança Faro Capital Europeia da Cultura, Faro (PT)
8 e 9 Out 05 Ultima Music Festival, Oslo (NO)
16 Nov 05 NetFest, Moscovo (RU)
9 a 15 Mai 06 Portuguese Performance Festival, Blue Elephant Theatre, Londres (UK)
30 e 31 Jun 06 Impuls Tanz, Vienna (AT)
20 Ago 06 Mladi Levi Festival, Lublijana (SI)
16 e 17 Set 06 FIMP,  Porto (PT)
26 Oct 06 Festival Sonda, Porto (PT)
15 e 16 Mar 07 Trondheim Bastard Festival, Trondheim (NO)
24 Abr 07 Beirut Dance Festival, Beirute (LB)
29 Abr 07 Ramallah Dance Festival, Ramallah (Palestina)
10 e 11 Out 08 São Paulo , SESC Mostra de Artes 08 (BR)
13 e 14 Março 2009 – Festival La Porta 09, Barcelona (ES)
10 Out. 09 – Festival Contradança, Teatro-Cine Covilhã (PT)
10 Maio, Feira do Livro de Lisboa, Lisboa (PT)
31 Jul 10 Pavilhão do Conhecimento, Lisbon (PT)

IMPRENSA
“é um espectáculo muito inteligente, mas algo abstracto e cerebral. Lúdico e ao mesmo tempo trágico.”
Eduardo Prado Coelho in Publico

“(...) Ao contrário dessa retórica de banalidade performativa que se transformou a litúrgicapalavra de ordem de “questionar o lugar do público”, o trabalho de Portela é de uma inteligência e de uma capacidade narrativa e reflexiva verdadeiramente brilhantes – a teorização faz-se com o próprio apelo lúdico, com a redescoberta do prazer de narrar.(...)”
Augusto M. Seabra in Público

“(...) um trabalho brilhante, pois Patrícia Portela conseguiu transformar uma conjunto dequestões teóricas numa ficção tão emocionante como o James Bond que percorre aquela história. O tratamento da imagem e a relação desta com o texto é de uma rara inteligência, tanto na apresentação do trabalho como no campo conceptual.”
João Carneiro in Expresso

“Flatland (é) onde se dá a verdadeira simbiose deste mundo (de Patrícia Portela) que é performático, coreográfico e literário. (Flatman) é um ser que é um conceito, que tem emoções, (...) No caso de Flatland a coreografia está também no movimento das palavras. Há uma dimensão coreográfica simbólica nos sentidos propostos e uma dimensão literal, numa dança que se passeia entre a voz e o movimento no ecrã que reproduz um livro gigante. A questão do olhar é importante para este exercício de deslocação.”
Claudia Galhós in Jornal de Letras

“(…) o profissionalismo dos novos criadores (no Festival Amperdans) é surpreendente.”
Elke Van Campenhout in De Standaard

“(…)a engenhosa montagem de texto, fotos e filme apresenta-nos algo entre um ensaio e um conto de fadas para adultos.(...)
Jeroen Peters in DeMorgen

“(...) An absolute light point – and a must (in the Amperdans Festival) was “Flatland” by Patricia Portela. Without any pretension this piece is a witty and apt reflection on our relation to the world of data, concepts, books and how they bend our perception.”
Pieter T'JONCK in De Tijd


 




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