PARASOMNIA
de Patrícia Portela
(a partir de um ensaio e esboços de Acácio Nobre)


Civilization as a whole is on the verge of “losing a basic human faculty: the power of bringing visions into focus with our eyes shut.

Italo Calvino                                    

Sleep is the last unleveraged form of human activity and it is violently threatened by a world in which the divisions between night and day, between rest and work, are disappearing (…).
Megan Heuer in Who sleeps?

Estamos a perder uma das nossas qualidades mais básicas: ver de olhos fechados. Nem tempo temos para sonhar acordados, de olhos abertos. A vida tornou-se uma sucessão de actos eficazes que garantem que não morremos nem de fome nem de tédio, ignorando que somos tão feitos de poeira estelar quanto de salários mensais, tão feitos de carne e osso como de questões éticas e emocionais. O sono é o último lugar a escapar a essa compulsão do lucro, da velocidade, do consumo, embora a neuro-ciência e o exército já explorem formas de nos examinarem enquanto dormirmos ou de nos manter acordados. O sono e a arte, com a sua teimosia em questionar, re-ensaiam comportamentos humanos, alimentam narrativas múltiplas, permitindo a partilha de entre desconhecidos, provocando lugares de Empatia.
Temos de reaprender com urgência a dar-nos a nós próprios e aos outros, a ter tempo para sonhar.
Estamos a perder uma das nossas qualidades mais básicas: ver de olhos fechados. Nem tempo temos para sonhar acordados, de olhos abertos. A vida tornou-se uma sucessão de actos eficazes que garantem que não morremos nem de fome nem de tédio, ignorando que somos tão feitos de poeira estelar quanto de salários mensais, tão feitos de carne e osso como de questões éticas e emocionais. O sono é o último lugar a escapar a essa compulsão do lucro, da velocidade, do consumo, embora a neuro-ciência e o exército já explorem formas de nos examinarem enquanto dormirmos ou de nos manter acordados. O sono e a arte, com a sua teimosia em questionar, re-ensaiam comportamentos humanos, alimentam narrativas múltiplas, permitindo a partilha de entre desconhecidos, provocando lugares de Empatia.
Temos de reaprender com urgência a dar-nos a nós próprios e aos outros, a ter tempo para sonhar.
Parasomnia é uma instalação – performance espalhada por diversas salas onde se promove a “estimulação da produção de melatonina”, os “vapores de sonolência apropriados à indução de um sono propício à prática do sonho lúcido” e a desaceleração dos corpos e o arrastar das vidas.Estamos a perder uma das nossas qualidades mais básicas: ver de olhos fechados. Nem tempo temos para sonhar acordados, de olhos abertos. A vida tornou-se uma sucessão de actos eficazes que garantem que não morremos nem de fome nem de tédio, ignorando que somos tão feitos de poeira estelar quanto de salários mensais, tão feitos de carne e osso como de questões éticas e emocionais. O sono é o último lugar a escapar a essa compulsão do lucro, da velocidade, do consumo, embora a neuro-ciência e o exército já explorem formas de nos examinarem enquanto dormirmos ou de nos manter acordados. O sono e a arte, com a sua teimosia em questionar, re-ensaiam comportamentos humanos, alimentam narrativas múltiplas, permitindo a partilha de entre desconhecidos, provocando lugares de Empatia. Temos de reaprender com urgência a dar-nos a nós próprios e aos outros, a ter tempo para sonhar.
Parasomnia é uma instalação – performance espalhada por diversas salas onde se promove a “estimulação da produção de melatonina”, os “vapores de sonolência apropriados à indução de um sono propício à prática do sonho lúcido” e a desaceleração dos corpos e o arrastar das vidas.

Ficha técnica
Espaço, texto, imagens – Patrícia Portela
Murais de vídeo – Irmã Lucia efeitos especiais & Patrícia Portela
Iluminação – Leonardo Simões
Violino ante-câmara – Elisabeth Drouwé
Espaço sonoro antecâmara – Christoph de Boeck
Edição texto sala do sono - Isabel Garcez
Vozes - Célia Fechas, Thiago Arrais
Performers – Patrícia Portela, Célia Fechas, Mónica Coteriano, Leonor Barata, Anton Skrzypiciel
Refeição soporífera – Annick Gernaey
Bancos de espera – João Gonçalves
Banheira de madeira – PICAPAU
Jóias – Alda Salaviza
Construção dos bancos de espera - Leonel & Bicho
Produção Prado, Associação Cultural
Co-produção - Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Kaaitheater, Festival de Artes de Macau, Maria Matos – Teatro Municipal - temporada 2017/18
Agradecimentos: Zeferino Coelho, Pedro Pires, Sónia Baptista, Kurt Vanhoutte, Nele Wijnants, Nicolas Callot, Antónia Pedroso de Lima, Dias & Pereira-Fábrica de Estofos, D. Maria Luísa, Maria de Fatima Beirão de Almeida Antunes, Kam Pang, Ping Hsu
Esta instalação é dedicada a Jan e a Annick




teaser Parasomnia (video) | imagens